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Rebeldia, a seiva de Tom Zé


Tom Zé é um artista brasileiro de ponta. Compositor, cantor, arranjador
e ator, natural de Irará, Bahia, nasceu a 11 de outubro de 1936. Considerado
uma das figuras mais originais da Música Popular Brasileira, ele
participou do movimento musical conhecido como Tropicália, que surgiu
nos anos 60, e se tornou uma voz independente, de destaque no cenário
musical do país.


Depois, por um longo período, sumiu. Na década de 90, devido à
intervenção do músico britânico David Byrne, que ficou com o crédito da
redescoberta, Tom Zé sai do ostracismo e volta a ser aclamado pelo público.
Com aplausos da crítica internacional que considerou The Best of Tom
Zé um dos dez melhores discos da década dos anos 90, foi aplaudido pelas
novas gerações.


Um milagre, uma exceção num país sem memória. Décadas se passaram
e quando o baiano reapareceu na mídia, com força total, era um jovem aos
64 anos, como disse Washington Olivetto, feliz por ser amado pelos estudantes.
Em entrevista, nesta época, ele me falou sobre seu CD Jogos de Armar - Faça
Você Mesmo, lançado em 2000, dos instrumentos, sobre o ritmo que inventou,
a experiência de transitar entre a erudição e o folclore, a importância da arte
popular e a proposta de transformar o ouvinte em parceiro.


Também lembrou a grande decepção, em 1973. Apesar de Todos os
Olhos não ser tocado nas rádios, o disco ficou famoso principalmente pela
capa inusitada, criativa, irreverente. A foto de uma bola de gude no que
parece ser um ânus, mas que garante alguns, é a boca de uma modelo, criou
controvérsias, se tornou Cult e premiada, símbolo de transgressão.
Tom Zé é exemplo de como a rebeldia, quando ela representa atualização
e ousadia, é necessária na arte e na vida. Rebeldia, um super ingrediente
potencializador que ele define como “a proteína social indispensável
para o crescimento do espírito”.


NT - Como foi o processo de criação do CD Jogo de Armar?
TZ - Em 1978, no dia 19 de Maio, fiz um show em São Paulo onde levei instrumentos
num estágio menor de desenvolvimento do que estão agora. Naturalmente,
este tipo de ideia não foi aprovado em nenhuma gravadora.


Os instrumentos foram guardados na casa de amigos e acabaram se perdendo.
Grande parte estava no sítio de um músico que tocava comigo. O
pai dele reclamava muito, então o caseiro queimou todas as peças de madeira
dos instrumentos, num inverno frio aqui de São Paulo
.


NT - O que o levou a retomar a pesquisa de instrumentos?
TZ - Essa coisa foi esquecida, enterrada. Depois teve o episódio de David
Byrne ter me descoberto e, finalmente, agora a gravadora Trama me autorizou
e financiou a construção dos instrumentos. Pelo menos a parte de
instrumentos experimentais foi assim.


NT - Você aproveita ruídos produzidos por enceradeiras, aspiradores e
liquidificadores. Como isso funciona?
TZ - O refinamento dos erros ensina. Todo trabalho é ajudado pelos erros.
E na construção a gente teve essa coisa, principalmente na orquestra de
Hertz, uma espécie de Sampler, que hoje se chama Hertzé.
Foi o que mais implicou em dificuldade, até acertar, até chegar a uma maneira
de o instrumento funcionar em palco. Nós reconstruímos agora, algumas
canções e ideias já estavam prontas em 78.
Em princípio, tinha vontade de só gravar o que já estava pronto. Mas não
resistimos à tentação de botar a música nova chamada Chamegá, por causa
da dança que contém. E também a passagem de som, que foi uma ideia que
tive há uns cinco anos.

 


NT - Dá para descrever estes instrumentos?
TZ - Os instrumentos de eletrodomésticos provocam curiosidade por serem
de um material tão bizarro. Na verdade, o motor da enceradeira nunca
é escutado pelo público. Um teclado aciona os motores e outro abre os microfones
de contato colocados em determinados lugares.
De metal, só são aproveitadas as enceradeiras antigas, quando ainda eram
de metal. A vibração passa por uma mesa, onde se dá a natureza do som
que a gente quer. O público só ouve o acontecimento sonoro quando nós
abrimos os microfones. Os motores não são escutados.


NT - Esse ritmo novo, o Chamegá, é um sincretismo?
TZ - Não é um ritmo híbrido, não. O Chamegá é um ritmo novo, uma batida
de violão nova. Já em 76, eu tropecei numa batida de violão e nós todos,
os músicos amigos, ficávamos curiosos: “Que coisa interessante!”, dizíamos.
“Eu não acerto entrar, não acerto contar”, diziam.
“Que hora é o tempo forte, que hora é o tempo fraco?”, perguntavam. E
todas essas especificidades foram obrigando o músico a dizer: “Puxa, eu
queria fazer uma bateria pra isso! Queria compor um contrabaixo pra isso
e a cada hora que uma solução ia sendo encontrada íamos ficando contentes,
até que Lauro Léllis, que é meu baterista, me chamou a atenção. Disse:
“Tom Zé, você tem um ritmo, você devia compor um disco todo com este
novo ritmo, como quem registra esta marca”.


NT - O Chamegá é a marca do disco?
TZ - Eu não fiz o disco inteiro, nesse disco a gente fez algumas canções e
como ficou muito dançável, muito gostoso, nós compusemos uma pequena
coreografia. A sugestão de passos está na capa e o próprio disco tem os passos
principais. Laura Andreato e Paula Lisboa arredondaram a dança. No
lançamento, mostramos. Ficou muito alegre, muito bom.


NT - E esta novidade de CD auxiliar, qual o objetivo?
TZ - Com CD auxiliar, qualquer pessoa em sua casa, até um radialista, pode
remontar, recompor qualquer das canções. Mas, se eu compusesse canções
como Chega de Saudade, não poderia contar com esse recurso, não poderia
oferecer essa possibilidade ao ouvinte.
Isso porque uma composição nesse gênero tem uma linha melódica contínua,
uma harmonia que acompanha toda canção. E como as minhas canções
são feitas com pequenos loopings, acho que é o nome mais popular
no Brasil, pequeno trecho musical que se repete, principalmente no baixo.
Como minha música é feita com módulos, fica possível oferecer esses loopings
em separado para serem remontados. O que eu faço também é uma
montagem. A pessoa põe no computador, através do CD auxiliar, ou usa

um gravador multipista, ou na sua própria banda de garagem. Pode remontar
a música de uma maneira diferente e, se possível, fazendo outras letras.


NT - Você provoca uma espécie de parceria?
TZ - No encarte do disco, mando trechos de letras que não usei. É para
incentivar também essa criação de textos, de letras e no CD auxiliar, de vez
em quando, falta alguma coisa daquelas que eu coloquei na música.
É uma maneira sim de instigar o parceiro distante a criar uma coisa para
substituir, ou tocar essa coisa no seu próprio instrumento. Um radialista,
por exemplo, pode fazer uma remontagem da música e ter na sua emissora
uma música absolutamente impossível de outra rádio ter. Aí ele se torna
meu parceiro, registra e também recebe direito autoral.


NT - Música de vanguarda tem público no Brasil?
TZ - Não faço exatamente música de vanguarda. A partir de 76, me defrontei
com essa ideia de fazer música modular, que lembra um pouco uma
configuração nas artes plásticas.
Lembra os módulos de Alexander Calder. Aqueles móbiles, aquelas peças
giram de acordo com sua circunferência e tamanho de modo que você nunca
encontra o objeto de uma mesma maneira. É uma probabilidade muito
remota e a música que faço lembra aquilo. Por isso, você pode montar diferente
um objeto de Calder, em outra posição e distância.


NT - Foi difícil assimilarem esse trabalho de ponta, de pesquisa?
TZ - Eu tropecei com isso, não foi uma coisa refinada do meu caráter, uma
intenção de compor uma música que fosse adiante da música dos outros,
que tivesse a chancela da novidade, do vanguardismo.
No princípio, me criou muita dificuldade. Eu não tinha essas tentativas de
composição muito ajustadas para chegarem ao ouvido do consumidor, do
fã, do ouvinte sem muitas arestas, de uma maneira mais palatável.
Os próprios instrumentos ainda eram manejados com dificuldade, com
tecnologia muito precária, sem dinheiro. Em 78, eu vendi uma casa de
praia. Fui um artista que circulou muito e fez muito sucesso de 68 a 73.


Em 73, quando eu fiz aquele disco Todos Olhos, eu caí. Achei que ia agradar,
porque era diferente, com novidades, mas ele não tocou em rádio. Eu desapareci,
entrei na fase de ostracismo.


NT - A que você atribui essa fase?
TZ - O disco tinha músicas bastante populares, mas não deu certo. Só veio
fazer sucesso 17 anos depois, com o The Best of Tom Zé, que inclui quatro
músicas dele. Eu digo que nunca fiz uma canção, fiz tentativas. A cada disco,
com as dificuldades, com a recusa das gravadoras – embora não tenha
queixa de nada, acho natural - fui aprumando, fui chegando perto das canções
“normais”.
Não gosto de chamar de vanguardismo, mas não deixa de ser uma coisa um
pouco diferente. É mais uma dificuldade natural do que uma tentativa de
ser a novidade.


NT – É o preço por desenvolver um trabalho fora dos parâmetros da
indústria cultural?
TZ - Uma coisa dessas em que você tropeça e se apaixona. Que você passa
a lutar por ela, acaba sendo fora do produto industrial normal.


NT - Você investe num sincretismo musical com fortes referências na
música nordestina, erudita e dodecafônica?
TZ – Realmente, eu estudei. Sou uma pessoa em que a influência da música
da infância está plenamente presente, mas eu estudei numa escola de música
pós-moderna, na universidade da Bahia, nos anos de 61 a 67, dirigida
por Koell-Reutter e Widmer.
Apesar disso, dodecafonismo, serialismo, atonalidade, politonalidade, essas
coisas no meu espírito funcionam hoje como grades matemáticas. Politonalidade
você pode encontrar, às vezes, na minha música. Não faço uma
música tonal, mas também não é atonal. E é uma música cantável, apesar
de não ser tonal.


NT - Qual é a síntese entre as suas propostas, a música popular e a erudita?
TZ - Quero explicar bem isto. O cérebro do homem tem um recurso que
independe da vontade da criatura. É quando você aprende qualquer sistema.
O cérebro é capaz de fazer uma coisa que a teoria da informação chama
de tradução intersemótico, tradução entre linguagens de sinais diferentes.
Exemplo prático: no meu modo de entender, a Bossa Nova fez a ponte Rio-
-Niterói. Vamos tentar explicar. A Bossa Nova fez com altura relativa, quer
dizer, notas musicais. Fez com tempos, tempos fortes, tempos fracos. Fez
uma estrutura com esses elementos, com esse material que é próprio da
música.


NT - Sua música com raiz na cultura popular tem ressonância da erudição?
TZ - O cérebro humano faz essa coisa. Usa algo que aprendeu em um sistema
de sinais. Sem precisar pensar, o homem, quando está tentando resolver
outro problema e já conhece aquela sistemática anterior, processa esses
dados para o novo problema. O que aprendi na escola eu processo dessa
maneira. Uso o sistema em outra direção. Mas eu não faço música dodecafônica,
serialismo, politonalidade. Naturalmente, esse estudo sofisticado
me ajuda a trabalhar com a música sertaneja que está no meu coração.


NT - A revista Rolling Stone classificou o CD The Best of Tom Zé como
um dos melhores discos da década. Como isto refletiu em sua carreira?
TZ - A primeira coisa é o lado humano. Orgulho, alegria, felicidade de ver
uma coisa que você fez sozinho, no escuro, deserdado. É claro que tem o
apoio da família, mas eu fiquei deserdado, perdi meus pais na hora em que
essa música que eu tentava fazer não teve aprovação no Brasil.
Depois de tantos anos, essa música vai para lá e o disco é considerado um
dos melhores da década. Todo mundo no Brasil ficou mais curioso ainda,
abriu espaço em gravadoras. Ter respeito e consideração é a melhor coisa
que você pode conseguir no mundo. Melhor do que ter dinheiro, sem dúvida.


NT - Desde quando sua carreira está se desenvolvendo no exterior?
TZ - Desde 93. Fiz uma vida quase toda no exterior, porque aqui não era
procurado. Tinha mercado nos Estados Unidos e na Europa, para onde eu
fazia excursões. Depois os convites foram aumentando, até que em 98 eu
fui fazer o Abril Pro Rock. Às vezes, diziam que eu era um artista difícil, que
fazia uma música sofisticada. Nunca achei isso, mas também não se pode
ficar brigando com o que dizem.


NT - Como foi a volta por cima?
TZ - Em 98, aconteceu uma espécie de milagre, me escalaram para o Abril
Pro Rock como uma atração média, para tocar lá pelas 18, 19 horas, quando
as melhores seriam lá pela meia-noite. Eram 8.500 pessoas e não disseram
“Saiam, deixem os intelectuais, vai tocar um artista difícil”. Não, não. Eu
toquei e o mundo veio abaixo.
O público gritou meu nome o resto da noite e a crítica estava lá. No outro
dia, eu era um artista popular. Deixei de ser difícil. Neste dia, em Recife,
acabou-se o mito e nasceu um cantor.


NT - Você vai fazer turnê? Quais são os planos?
TZ - Devo abrir o Rock in Rio, dia 18 de Janeiro, na Tenda Brasil. E em
Janeiro estarei em PortoAlegre. Tem Salvador, em Fevereiro. A gravadora
ainda está organizando a turnê. Espero poder ir para esse lado do Brasil
onde nunca fui.

 


NT - Quais são os projetos?
TZ - Essa ideia de fazer um disco que todo mundo pode retrabalhar em casa é
a Música Popular, que é uma arte segregada, no concerto das grandes artes. É
considerada uma arte menor e acabou sendo vanguarda.
Vamos tirar essa palavra vanguarda, acabou sendo a primeira a fazer um trabalho
que pode ser recomposto pelo próprio comprador de disco. Estou com 64
anos e tem uma coisa curiosa: o publicitário Washington Olivetto foi no show
de estreia, entrou no camarim e disse, brincando, assim: “Finalmente, um artista
jovem no Brasil”.


NT - Em que aspectos seu trabalho tem características da arte contemporânea?
TZ - Muitas artes já permitiam alguma participação. Mas é a primeira vez
que as peças podem ficar na mão da pessoa para ela remontar da maneira
que quiser. Então, a arte mais humilde acabou sendo a que chegou primeiro.
A gente fica contente de ter tido essa idéia que deu certo pelo tipo de
música que faço.


NT - Como avalia o nível da música que toca no rádio?
TZ - Sobre essa coisa de nível baixo na música brasileira, a gente chora de
barriga cheia. O Brasil faz hoje a melhor música do mundo. Não digo isso
para fazer gracinha no seu jornal, digo isso em qualquer lugar. Além de
tudo, o Brasil tem lastro para endossar o que faz. O lastro que tem - e Goiás
é responsável por parte disso - é o folclore. Dizem que o Brasil não tem
terremoto, é mentira. A terra no Brasil treme constantemente por causa da
força do folclore, que está debaixo do barro do chão.
Se você andar 100 quilômetros, para qualquer lado, a partir de Goiânia,
você verá uma nova visão de mundo consumada, construída. Dizem que
cada língua tem uma cosmogonia, filosofia, metafísica. E cada língua folclórica
dessa que o Brasil tem, a cada 100 quilômetros, tem uma maneira
de interpretar o universo, de conceber as aspirações metafísicas que vêm
no hipotálamo do homem, desde que o cérebro começou a se montar em
cima do nosso corpo.
O maestro Júlio Medaglia costuma dizer à sua mulher Nadine, que é alemã.
“Nadine, aqueles países do norte da Europa estão em estado de inanição, de
miséria, de pauperismo artístico porque não têm mais folclore”.


NT - A remontagem que você propõe significa um momento de mudança
na MPB?
TZ - Qualquer pessoa sabe que em volta de si tem uma força motriz que
é gerada pela natureza vigorosa, espermática do folclore que está por aí. É
claro que num país com baixa escolaridade tem de ter uma música bem
fácil para a pessoa se divertir.

Tem de ter a música de dança, porque o corpo é um templo que precisa ser
movido, azeitado com movimentos, para a pessoa não ter de ir para o INSS
muito cedo. Então tem de ter a música rítmica, caipira. Tem de ter tudo
isso. É normal que num mercado de consumo as coisas fáceis circulem.
Mas a vida no planeta Terra é assim, começam a nascer bolsões de público
que querem algo diferente. Como a garotada que vai nos meus shows e quer
o que não toca no rádio.


NT - Qual o ingrediente que atrai o jovem?
TZ - É impressionante. Eu, com 64 anos, todo ano toco para os calouros
da USP. O principal produto que eu faço não é música. É uma proteína
social chamada rebeldia indispensável para o crescimento do espírito. Em
rebeldia ainda tem ética, esperança de um mundo justo. O jovem, antes de
se tornar um cidadão amorfo, tem esperança no respeito humano. Minha
música contém esta rebeldia.


NT - É uma forma panfletária?
TZ - Música de protesto hoje é absolutamente inócua. A minha tem algo de
protesto, mas sei que isso é inócuo. O que é aproveitável, aquilo que corpo
aproveita, a seiva mesmo de minha música é a rebeldia.


*Entrevista publicada dia 4 de Dezembro de 2000, no Jornal O Popular, em
Goiânia

*Este  texto faz parte do livro "Era Uma Vez....... Outra Vez....... mais uma vez .......e  mais outra.......", de Nádia Timm.

Última modificação em Sexta, 13 Janeiro 2017 22:08
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