Arquipélago da Madeira

Arquipélago da Madeira

Destino exibe suas raízes em patrimônios históricos e monumentos fascinantes. // Famoso por ser um dos mais belos do mundo, o Arquipélago da Madeira é rep...

Suíça, de trem

Suíça, de trem

Um passeio imperdível pela Suíça com o Grand Train Tour

Lan Lanh

Lan Lanh

Lan Lanh sobe aos palcos do Teatro Glaucio Gill, no Rio de Janeiro, para apresentar o show "Batuque da Lan Lanh" nos dias 2, 3, 4, 5, 9, 10, 11 e 12 de junho. ...

Gringo Cardia é sinônimo de comunicação visual de qualidade, em alto nível, de arte aplicada à vida cultural contemporânea, no Brasil e exterior Gringo Cardia é sinônimo de comunicação visual de qualidade, em alto nível, de arte aplicada à vida cultural contemporânea, no Brasil e exterior
Publicado em Entrevistas
Lido 1346 vezes
Avalie este item
(0 votos)

Gringo Cardia é sinônimo de comunicação visual de qualidade, em alto nível, de arte aplicada à vida cultural contemporânea, no Brasil e exterior.

 

Artista versátil, atua como cenógrafo, designer, artista gráfico, arquiteto, diretor de videoclipes e diretor de arte.

Assina excelentes projetos de capas, cenografias e figurinos para espetáculos de música e artes cênicas. Entre as estrelas, estão nomes como Deborah Colker, Chico Buarque, Rita Lee, Skank e Intrépida Trupe. Trabalhou com Antônio Abujamra e José Celso Martinez Corrêa e até as vitrines da H. Stern pelo mundo ganharam o toque de sua sensibilidade.

Em 2005, Gringo Cardia, profundo conhecedor da cultura e das expressões brasileiras e um dos nomes mais respeitados da cena artística, criou a mostra Amazônia Brasil, que apaixonou milhares de parisienses. Era o Ano do Brasil na França.


Quando a exposição foi apresentada em Minas Gerais e destaque no IV Festival da Vida, em Mariana, de 12 a 19 de maio de 2007, Gringo concedeu esta entrevista exclusiva para a eNT Revista Eletrônica. Depois, Amazônia Brasil prosseguiu encantando pelo mundo.

NT - Qual a concepção da exposição Amazônia Brasil?
GC - Minha concepção foi passar a magia da diversidade da floresta e de tudo o que muitas pessoas estão fazendo a favor da preservação da Amazônia. Muitos projetos existem e muita gente não sabe. Quis juntar o nosso maravilhamento com esta imensidão saúde da floresta. Mostrar a vida e a morte da floresta dependendo da atuação de cada pessoa do Planeta.

NT - Como foi o processo de criação da mostra?

GC - Viajei bastante pelo Amazonas junto com o Projeto Saúde e Alegria, que me convidou para fazer esta exposição. Tentei ver de tudo para mostrar uma coisa impossível de se mostrar. Trabalhamos muito com o ponto de vista dos projetos positivos. Procuramos ter a participação dos caboclos e artistas locais ao máximo para fazer uma exposição mais viva e verdadeira do ponto de vista de quem vive lá. Fizemos uma maquete do projeto e ocupamos seis mil metros quadrados do SESC - Pompéia, em 2002. A partir daí, foi uma sucessão de novas montagens sempre adaptadas a novos índices e realidades. A exposição se transforma o tempo todo.

NT - Como sintetiza a diversidade e discute a importância desta floresta na mostra?
GC - A diversidade é sintetizada em uma mesa de sementes imensa, onde as pessoas podem ver e tocar vários tipos de sementes que existem lá. As pessoas deliram com isso e, principalmente, as crianças percebem que o mundo é feito de muito mais coisas que eles conhecem. A importância da floresta vem logo após o encantamento que ela pode te provocar. Temos um conteúdo riquíssimo de dados reais de quem trabalha e vive dentro da floresta.


NT - Quais elementos estéticos são essenciais para compreensão da importância da Amazônia?
GC - É muito difícil representar uma floresta. O cenário mais difícil que eu já fiz foi tentar imitar uma árvore verdadeira para o Balé da Cia. Deborah Colker. Penei e custou uma fortuna. Imagine então representar a força estética da Floresta Amazônica! A única maneira que achei foi fazer uma floresta em miniatura em que as pessoas pudessem ver uma dimensão de verde e quanta coisa colorida está atrás deste verde. Animais, pessoas, culturas e, principalmente, respeito à natureza. Você tem que se deixar levar pelo encanto de encontrar tanta coisa linda atrás de toda esta mata.

NT - Paralelo ao trabalho educativo, de revelar uma região, de que forma tratou a questão artística?

GC - Tratei de uma maneira a fazer uma junção do científico com o humano e biológico. Usamos fotos de satélite que mostram a floresta como um corpo cheio de veias/rios que serpenteiam o corpo/floresta e dentro de cada pequena floresta, e de cada pequena árvore, um outro universo de sementes, animais e cores. É o universo dentro da mata. Quis fazer um confronto entre escalas, mostrando as várias faces da floresta.

NT - Seu trabalho é marcado por parcerias com artistas que desenvolvem a linguagem contemporânea, de vanguarda. Em Amazônia Brasil como lida com a sofisticação e a necessidade de comunicar e interagir com o grande público?
GC - Sempre fui um artista versátil que procura aprender com suas parcerias. Acho que o trabalho da gente fica mais vivo quando você faz de coração. É com essa força e a vontade de mudar o mundo que a gente mostra a Amazônia, que muita gente não conhece direito. Para mim é uma mistura de didatismo e encantamento, tentar fazer com que as pessoas se interessem pelos dados através do encantamento. Gosto da arte popular e da maneira como as pessoas encontram criativamente de sobreviver com dignidade e beleza. O papel do artista visual numa exposição como esta é mostrar a beleza nas pequenas e grandes coisas. Da caneca do caboclo à árvore de 50 metros. As pessoas se emocionam vendo estas coisas simples sendo mostradas através de uma ótica diferente em um espaço de espetáculo da exposição.

NT - Na Amazônia, o que te impressionou?
GC - Me impressionou a majestade da floresta e a imensidão de uma região virgem, onde a natureza é que domina o homem e não o homem que quer dominar a natureza. A grande deusa-mãe, verde. Me impressionou o respeito que os povos da floresta tentam ter com a natureza e de como centenas de projetos se dedicam a mostrar ao mundo a importância de se preservar este território. Estas pessoas estão ali arriscando as suas vidas em detrimento de mostrar ao mundo que é possível manter uma região com um desenvolvimento sustentável,
mais lento, mas conscientes de futuro e respeito do que campos de soja, hidrelétricas sem estudos de impacto e estradas aniquiladoras.

NT - Na Europa, como a exposição repercutiu?
GC - Foi muito legal ver aquelas pessoas colocando as mãos nas sementes. As pessoas viajam no espaço através do tato. Ficam muito curiosas com tudo e leem muito. Nossa exposição foi a mais visitada no ano da França Brasil. Ficamos em Paris e quase 200 mil jovens visitaram a floresta.

NT- E no Brasil?
GC - No Brasil é impressionante como as pessoas não conhecem a Amazônia. Todos se emocionam também e pela exposição dá para perceber como as pessoas se sentem distantes daquilo. A exposição tenta quebrar esta barreira e acho que tem conseguido. Muita gente já se engajou com trabalhos positivos e ela é um trabalho formiguinha de uma consciência crítica de que precisamos cuidar da nossa floresta.

NT - O olhar do brasileiro enxerga a dimensão da floresta?

GC - Não consegue ver a dimensão.

NT - De que forma a arte, em suas mais diversas expressões, tem colaborado para ampliação da consciência ecológica?
GC - Acho que você trazer para o palco do espetáculo, da exposição, coisas naturais, dá um valor diferente a estas coisas e faz as pessoas perceberem a riqueza de estética e vida que está atrás da diversidade. A arte transforma a percepção das pessoas e permite assim que você entre no assunto através da sua sensibilização. Sentir a floresta é vivê-la.

NT - E o Festival da Vida, qual o papel deste evento numa sociedade sem valores humanistas? Ele representa uma utopia? Qual sua opinião?
GC - Acho fundamental a busca das utopias. Só elas podem salvar o Planeta. Acho que as pessoas mais conscientes do Planeta estão ligadas em formar uma rede de propagação de experiências positivas. Em momentos de escuridão é que florescem grandes pensamentos. O Festival é maravilhoso, pois tenta agregar estas pessoas e difundir uma esperança para a vida.

NT - Onde mais Amazônia Brasil será vista?
GC - Estamos montando uma exposição paralela a esta no parque Bavaria próximo a Munich que será inaugurada pelo presidente alemão, depois seguiremos para Berlim e, ano que vem, temos agenda para a Inglaterra e Estados Unidos e Japão.

NT - Em que projetos você está trabalhando?

GC- Tantos que nem me lembro de todos. Vou listar, Ok? Afroreggae, direção de arte e cenografia, Londres e Hannover; Deborah Colker, Companhia de Dança, em Berlim e Londres; Capa do CD de Vanessa Da Mata; Capa e novos trabalhos de Maria Bethânia; Cenografia do show de Ana Carolina; Exposição Estética da Periferia, em Recife; Prêmio TIM de música; Estande Sebrae Fashion Rio; Peça de Pedro Cardoso, Os Ignorantes, em Londres; mostra do meu trabalho no Rio de Janeiro, em setembro, Minhas Escolas, ONGs SPECTACULU e Oi Kabum, no Rio, e muito outros menores, ou nem tanto...

 

*Esta entrevista  faz parte do livro "As Novas Histórias de Amor", de Nádia Timm.

Última modificação em Segunda, 26 Janeiro 2015 21:53
Mais nesta categoria: Cultura Caipira »

Deixe um comentário

Mais lidos

Tradição dos Manjericos

Tradição dos Manjericos

23 Jun 2016 Turismo

Na Ponta do Nariz

Na Ponta do Nariz

06 Jun 2016 Artemania

Ecoturismo

Ecoturismo

16 Out 2015 Turismo

Capoeira

Capoeira

04 Set 2016 Isto é Brasil

Quimeras

Quimeras

07 Jan 2015 Crônicas Di-Versos

Acompanhe no Facebook

Online

Temos 78 visitantes

Add to Flipboard Magazine.