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Publicado em Crônicas Di-Versos
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por Nádia Timm

O que é certo no amor? Só sei que fez loucuras em nome dele, muita besteira mesmo. Já amanheceu encolhidinha, sentada no degrau da porta de casa, tomou porres, usou drogas, dançou na chuva, choramingou, gemeu, gritou, roubou namorados e maridos de outras.

Até se matou  (calma,  quero dizer, em sentido figurado, porque se anulou e fez coisas absurdas como jogar fora empregos, estabilidade de relacionamentos. Melhor definir como uma quase-morte, para não exagerar tanto..)

Ficou por  um fio, vulnerável. Sua vida, o caos. Ganhou fama de leviana, maluca, puta. Muitas vezes, achou que tinha encontrado o grande amor. Aquela sensação prazerosa do êxtase, da entrega plena, a confundia.

A intensidade da emoção gerada no seu corpo, o calor, diagnosticava a tal vibração como paixão. Teve grandes ilusões. Custou a perceber que eram miragens, a maioria malditas, infelizmente.

Levou muito tempo até descobrir que aquele fogo que  via no outro,  no personagem amado, era imagem refletida de sua imaginação.

O outro, era a vítima do momento, do estado de paixão. É isso, vítima.  

Duvida?

Porque você não sabe o que alguém passional é capaz de fazer quando está em surto.

Ou sabe?

Quanto sofrimento amar a paixão! Quando lembra dos vexames, sente vergonha. Tantas lágrimas, cenas de ciúme, crises de insegurança.

Demorou a reconhecer  o sintoma. Custou a admitir que a fonte era o medo.  O medo de ficar só.

O incrível é que isto estava descrito em bilhetinhos, versos, cartas, e-mails que guardou. Explícito no melodrama  dos textos piegas, às vezes estava nas entrelinhas. Paixão é assim, é se entregar à fantasia, ao delírio.

Fernando Pessoa estava certo!  Cartas de amor são ridículas.

Mas isso a gente só percebe depois. É cair na real e medir o prejuízo.

É colocar na balança o coração: sentimento infantil versus tanta porrada, geralmente a indiferença do outro. É o preço do muso. Eles não são melífuos como a versão feminina.

Há mel,  claro, e  muito fel. Amá-lo é armadilha. Uma dor que cutila a alma. É a espada afiada, rápida. Desenho no espaço que joga no abismo de versos. Depois, quando tudo acaba, ainda não é o final.recomeça de outro jeito. Outro desatino, devaneio romântico.

É a saudade provocando novos poemas, canções, sonhos, crônicas, papos entre mulheres, segredos entre amigas. O certo é que sem o muso.  O tal amado. A vida e a poesia  não tem a menor graça.

* Tradução da crônica "Amar de Paixão" da antropóloga Mary Stanley publicada  dia 4 de março de 2002,  no Jornal de Lisboa.

A renomada pesquisadora tomou veneno dia 31 de dezembro de 2004,  em Nova York. No bilhete de despedida, endereçado ao ex-namorado, Mark Rouaud, pediu perdão por não suportar o fim do romance e lhe deixou seus livros, DVDs e discos. O legado inclui um gato  angorá chamado Passion.

Mark Rouaud está em Faluja, no Iraque. Seu  projeto é voltar para os EUA e escrever um livro sobre os crimes de Guerra e o genocídio que testemunha. Ele fotografa  torturas aos prisioneiros e as divulga na Internet. Pretende desertar e se aliar aos guerrilheiros. Está apaixonado por Nadja Rawin, médica da Cruz Vermelha.

03/01/2005

 

Última modificação em Terça, 23 Janeiro 2018 21:55

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