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Lançamento da Editora José Olympio, o livro “Numa hora assim escura”  oferece ao público todo o  encanto do profundo relacionamento entre Caio Fernando Abreu e Hilda Hist

 
A obra  da jornalista Paula Dip  - que também é autora de “Para sempre teu, Caio F” - reúne  as correspondências dos escritores,  no período de 1970  a 1990


 
por Mariana Moreno

Durante sua pesquisa para o livro “Para sempre teu, Caio F”, a escritora e jornalista Paula Dip conheceu um poeta baiano que guardava um pacote de cartas que Caio Fernando Abreu enviou a Hilda Hilst entre os anos de 1971 e 1990. Eram inéditas. Algumas ainda em envelopes selados, escritas à mão. Outras datilografadas na sua máquina de escrever portátil, carinhosamente chamada de Virginia Woolf.

  O conteúdo das correspondências, que revela a grande amizade e o verdadeiro caso de amor literário entre Caio e Hilda, permite revisitar a juventude de Caio e voltar à lendária Casa do Sol, residência que a poetisa construiu em Campinas, onde o escritor morou durante o ano de 1969.

  “As cartas ardiam em minhas mãos, tão preciosas que considerei estudá-las num curso de mestrado, mas venceu o desejo de editar um novo volume das cartas do meu amigo. Dividi-las com seu público, como ele queria”, conta Paula no prólogo do livro. Caio registrava nas cartas seu dia a dia, seus conflitos internos, chamados por ele de “mergulho no mais de fundo de mim”.

 

“Numa hora assim escura” é uma reunião de cartas repletas de expressão e a transcrição do laço entre dois grandes escritores, apresentado por Paula com incrível sensibilidade.

 

Orelha por Italo Moriconi

(Professor, escritor e  curador literário)

 

A paixão é o que define a relação entre Paula Dip e Caio Fernando Abreu. Como evitar que aflore a intensidade escura (e ao mesmo tempo luminosa) da paixão, quando se trata de reler e de evocar Caio Fernando Abreu?

Este livro é mais um marco no encontro entre a obra de Caio F. e sucessivas gerações de amantes da literatura brasileira. Ele que foi talvez o mais representativo prosador da geração pop-contracultural das últimas três décadas do século passado. O “biógrafo de emoções”. Sua obra, painel heterogêneo, composta por contos, romances, textos para o teatro, além das crônicas que fizeram história e... das cartas. Já não se discute o valor literário destas últimas.

Quanta riqueza de expressão neste conjunto endereçado a Hilda Hilst, que Paula nos apresenta com a sensibilidade de sempre. E quanta informação sobre a vida literária do período. Até aqui inédito, o conjunto não só amplia a visão que tínhamos do conteúdo literário da amizade que unia Caio e Hilda Hilst, como também alarga o conhecimento dos detalhes afetivos dessa relação.  São marcantes as cartas mais recentes mostradas por Paula, dos anos 1990, evidenciando que os laços entre esses dois grandes escritores se mantiveram por toda a vida.

  No texto de Paula Dip, tudo vem revestido de cuidado e atenção. Sobretudo vemos desenhar-se diante de nós a geografia afetiva da Casa do Sol, a residência de Hilda Hilst que constituiu como que um autêntico cenáculo pós-moderno de escritores, artistas, intelectuais em nosso último fim de século. Compartilhar o espaço e toda a mística que envolvia a Casa do Sol foi sem dúvida o momento do batismo de fogo de Caio Fernando Abreu como ficcionista de primeira grandeza.

 
 

Trecho:

“Na praia, vou me esforçar para conseguir novamente entrar em contato com a natureza e comigo mesmo, e através disso alcançar Deus outra vez. Se eu conseguir, a batalha estará ganha, a crise superada, eu terei sobrevivido, darei uma de Fênix e ressurgirei das próprias cinzas; caso contrário, eu não terei me enganado, a vida é realmente suja demais para ser vivida e eu não me poluirei. Isso é o que eu sei a meu respeito.

  Se houver uma chance de viver sem sujeira, eu a agarrarei com todas as forças. Não sei, realmente não sei, por favor me escreva, estou muito sozinho, meus pais fizeram todo o possível para que eu me convencesse de que sou uma pessoa má e desprezível, por favor não deixe de me escrever, eu acredito demais em você, no que você escreveu, no que você viveu, no que você foi e é, você a única pessoa a quem eu recorreria numa hora assim escura, e é o  que estou fazendo. Um abraço para o Dante e o Zé, desejo um Natal feliz e um novo ano cheio de coisas boas, ou pelo menos melhores que as deste maldito 71 ( que eu sei, foi também terrível para vocês)

Um grande beijo do seu, Caio".

 



 

NUMA HORA ASSIM ESCURA

Paula Dip

160 páginas

R$ 59,90

Editora José Olympio

(Grupo Editorial Record)

Última modificação em Quinta, 22 Dezembro 2016 22:52
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